Banco de Desenvolvimento do Brics conhece potencial de investimentos no Pará

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O governador Simão Jatene se reuniu, na tarde deste sábado, 16, com o diretor geral de projetos e financiamento do Novo Banco de Desenvolvimento, Shaohua Wu. Conhecido como o Banco de Desenvolvimento do Brics, acrônimo formado pelas iniciais dos países Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (do inglês South Africa), a instituição está conhecendo o potencial de investimento e as possibilidades de financiamento de projetos no Pará.

Também participaram da reunião, o assistente executivo do banco, Jianshi Yao, e a profissional de financiamento de projetos, Raísa Leão, além dos secretários Adnan Demachki, de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia; o adjunto da pasta, Eduardo Leão; a secretária de Gestão Estratégica, Noêmia Jacob e o secretário de Comunicação, Daniel Nardin.

O encontro entre o Banco do Brics e o Governo do Pará é oportuno, já que na próxima semana o Estado terá encontros com grandes empresas ligadas ao governo chinês, com o objetivo de apresentar o projeto da Ferrovia Paraense, assim como o potencial do Estado em diversas áreas. O encontro, assim, serviu como uma prévia do que será demonstrado nos próximos dias pelo Pará em Pequim, capital da China. Atualmente, o Banco do Brics possui onze projetos financiados, num valor total de US$ 3 bilhões. Com sede em Xangai, a instituição apoia projetos de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável nos países do bloco.

Durante a reunião, Simão Jatene apresentou as linhas gerais da política pública prevista pelo Pará Sustentável e o projeto da Ferrovia Paraense. “Temos um projeto sólido de desenvolvimento do Pará, que é o Pará Sustentável, baseado em três eixos: o econômico, o social e o ambiental. Dentro do econômico temos o Pará 2030, no qual está inserida a Ferrovia Paraense, porém, como estamos trabalhando dentro de uma lógica maior, esse projeto está associado aos demais pilares, pois temos a preocupação em olhar o todo, com uma visão também para a questão social e ambiental. Não queremos desenvolver projetos com foco simplesmente na geração de emprego e renda, que é importante, mas também temos atenção em gerar qualidade de vida para as pessoas. E isso terá efeito também nas cidades, que é onde as pessoas vivem, através do Programa Municípios Sustentáveis, que é onde se materializa e efetiva o Pará Sustentável”, explicou o governador.

Segundo o diretor do banco, Shaohua Wu, o órgão pode dialogar mais com o Estado e outras instituições para desenvolver diferentes projetos, dentro de uma ação maior conjunta. “Podemos articular transferência de tecnologia, agregar valor aos produtos do Pará e gerar cooperação entre instituições. É interessante ver esse esforço do governo e perceber a preocupação que se tem em atuar de forma estratégica, junto aos municípios e às pessoas”, disse Wu.

O executivo destacou, ainda, que a agenda do Pará em Pequim, na China, pode ser uma excelente oportunidade de negócios para o Estado. “O projeto da Ferrovia é muito interessante e certamente deve despertar o interesse de investidores e vamos auxiliar nessa interlocução, para que o Estado tenha maior êxito possível nesse momento”, afirmou.

“A orientação do banco é justamente estudar e ajudar a planejar projetos que tenham sinergia em diferentes áreas e percebemos que o Pará está buscando trabalhar exatamente nessa linha, o que é extremamente positivo”, destacou Wu.

Missão Ásia

Apenas quinze dias após o encerramento da 9ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Brics, o governador Simão Jatene cumpre, a partir da próxima semana, extensa agenda na China. A missão oficial tem como meta fechar parcerias para garantir novos investimentos em infraestrutura e fortalecer ainda mais a relação comercial com os chineses.

Entre os encontros, estão previstas reuniões com a direção da China Communications Constructions Company (CCCC), uma das líderes mundiais em construção e projetos de infraestrutura, com mais de 100 anos de experiência.

O momento é oportuno para buscar estabelecer e firmar parcerias. No encerramento da 9ª Cúpula do Brics, o presidente chinês Xi Jinping informou que a China vai destinar US$ 500 milhões para um fundo de assistência de cooperação Sul-Sul. O presidente chinês lembrou que os países emergentes responderam por 80% do crescimento global no ano passado, tornando-se um dos principais motores da economia mundial.

Atualmente, a China é o principal destino das exportações do Pará. Somente em 2016, as empresas chinesas importaram do Pará mais de US$ 3,5 bilhões em produtos, gerando participação de um terço (33%) do total das exportações paraenses. Em 2017, entre janeiro e agosto, a China aumentou ainda mais sua participação e já abocanha 40% das exportações. Nos primeiros oito meses do ano, o Pará vendeu para a China mais do que em todo o ano de 2016: já foram mais de US$ 3,6 bilhões em produtos, de um total de US$ 9,2 bilhões.

Em 2016 o Pará registrou o terceiro melhor saldo da Balança Comercial Brasileira. No mesmo período, o Brasil registrou saldo de US$ 42 bilhões. Em relação a 2015, ao contrário do Brasil, que registrou queda de 3% nas exportações, o Pará apresentou variação positiva de 2,3% nesse componente. O principal item da pauta de exportação paraense ainda é a mineração, com participação de 83%, sendo que o minério de ferro responde por 38% das vendas para o exterior.

Projetos conjuntos

A secretária Extraordinária de Estado de Gestão Estratégica, Noêmia Jacob, coordenou na sexta-feira, 15, uma reunião com executivos do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). Eles vieram a Belém para discutir o detalhamento dos projetos de saneamento, drenagem e pavimentação urbana que serão financiados pelo banco em 11 municípios paraenses, localizados nas regiões do Xingu e Tapajós, no eixo de duas grandes rodovias, a Transamazônica e a BR-163. São eles: Pacajá, Anapu, Senador José Porfírio, Brasil Novo, Medicilândia, Uruará, Placas, Rurópolis, Itaituba, Trairão e Novo Progresso. Os projetos vão beneficiar diretamente uma população de mais de 384 mil pessoas.

A secretária explicou que a operação de crédito, no valor total de 100 milhões de dólares, em co-financiamento com o banco chinês NDB- New Development Bank, já foi autorizada pelo Ministério do Planejamento e a lei já está sendo votada na Assembleia Legislativa. “Agora nós estamos discutindo com o banco como vai ser o projeto que ele vai financiar”, disse Noêmia Jacob.

Em seguida, ela explicou os critérios usados para escolha desses municípios: região impactada por grandes empreendimentos, crescimento populacional superior à média do Estado, resgate de dívida histórica com a região impactada desde a década de 70, baixos indicadores sociais, grande potencial econômico e contiguidade das cidades escolhidas facilitando a implantação e gestão do projeto, com possibilidade de atração de recursos adicionais de compensação ambiental.




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