De pai para filho: orgulho de trabalhar na PM passa por gerações

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Foi a partir do avô vendedor de frango que sonhava ter um filho policial militar que começou a história da família Ferreira na corporação, que no próximo dia 25 de setembro comemora 199 de criação no Pará. Francisco, o filho escolhido por ele, foi levado pelo pai até um coronel da PM – que era seu cliente – para se inscrever no concurso de admissão de policiais. O rapaz, que já havia servido o Exército dos 18 aos 20 anos, deixava claro que gostaria de seguir a vida civil, mas o destino lhe reservava outra história.

Aos 21 anos ele foi chamado pelo pai, que ao lhe apresentar a ficha de inscrição para o concurso de admissão de policiais militares em 1975, disse: “aqui está o teu emprego, agora é contigo!”. Não teve jeito, o rapaz não viu outra alternativa a não ser seguir pelo caminho indicado por seu genitor. “Não foi nada fácil entrar na Polícia Militar. Passei seis meses no curso de formação, fiz diversos exames, quase não fiquei, mas no fim deu tudo certo”, conta o hoje senhor de 63 anos que está na reserva.

O então soldado Francisco foi guarda, passou pelos Bombeiros, e chegou até a banda de música, onde conseguiu todas as suas promoções. “Passei vários anos tirando serviço de guarda; cheguei a servir na residência do vice-governador, fui guarda no Palácio do Governo, passei um tempo nos Bombeiros e sempre na guarda, em seguida passei para a faxina, até o dia que me chamaram para fazer a limpeza dos instrumentos da Banda de Música da PM e minha vida mudou. Entrei para a banda, mesmo sem saber tocar nenhum instrumento, aprendi surdo, prato, pistão, trombone, até chegar ao comando da banda, onde encerrei meus trabalhos e fui para reserva”, detalhou.

Orgulhoso de sua trajetória, Francisco conta o que aprendeu durante anos servindo a Polícia Militar e que leva para a vida inteira. “A gente nunca deve dizer não! Ao longo da minha história, se eu tivesse recusado os serviços que chegaram até mim, que para muitos não é legal, como o caso da limpeza, por exemplo, não teria chegado à banda de música, que foi o local que me formou e me deu tudo o que tenho hoje”, finalizou.

E foi quando o policial entrou para a reserva, que o filho mais velho, Francisco Junior, hoje major da PM, iniciou sua carreira na corporação. “Assim como meu pai, eu não tinha esse sonho, estava em busca de um emprego que me desse estabilidade e comecei a fazer concursos públicos. Foi quando surgiu o da Polícia Militar e a trajetória dele foi o que me motivou a fazer. Passei e hoje, depois de 18 anos de carreira, vejo que foi uma obra de Deus na minha vida, não poderia ter feito escolha melhor”, comentou.

Ele, que já serviu no 10º Batalhão em Icoaraci, no 20º Batalhão no Guamá, no Centro de Inteligência da Polícia Militar e no Comando de Policiamento da Capital, hoje é subcomandante da Ilha de Mosqueiro e almeja voos bem mais altos. “O serviço de policial militar é colocar a nossa vida em risco para proteger os cidadãos. Já estive em confronto direto e sempre sobrevivi, pois as técnicas que aprendemos no curso de formação nos garantem isso. Esse trabalho é um grande orgulho para mim e minha história de vida é a PM. Foi meu primeiro emprego e tudo que tenho hoje é graças a essa corporação. É uma instituição de respeito, que serve o cidadão e nos dá a segurança de ter um emprego fixo e um futuro confortável”, complementou.

Finalizando a trajetória, ou pelo menos encerrando um capítulo, a filha mais nova do policial da reserva Francisco, se interessa de fato pelo serviço e inicia a carreira. A assistente social foi para a faculdade, mas não deixou de lado o sonho de ingressar na carreira militar, mesmo, dessa vez, tendo inicialmente contra a mãe, o pai e o próprio irmão. “Era o que eu queria e fui atrás disso. Há sete anos já sirvo a PM, já estive nas ruas combatendo a criminalidade todos os dias, hoje alterno com o serviço burocrático, mas o que gosto mesmo é de servir as pessoas e da instituição para qual eu trabalho” comentou a soldado Jaqueline Ferreira.

Ela fala do pai com muito orgulho e diz que a formação familiar que teve a ajudou muito. “Meu pai é um orgulho para mim, a história dele e tudo que ele fez e é. Para ser policial é necessário antes de tudo, ter um conjunto de vários fatores: caráter e uma boa educação. Fiz o concurso duas vezes, passei na segunda e comecei a trabalhar em Tailândia. Acumulei muito conhecimento, o treinamento foi duro, puxado, mas é maravilhoso o aprendizado. Atuei na rua ostensivamente durante três anos e depois vim para a atividade administrativa, mas aos finais de semana temos atividade fora. Posso dizer que sou uma mulher feliz, realizada e preparada para tudo”.

Ainda sem herdeiros, o major Ferreira Jr. ainda não sabe quando terá filhos, mas diz que apoiaria incondicionalmente se seu filho quisesse seguir a carreira. Jaqueline, mãe de uma menina de dois anos, compartilha da mesma opinião. “Eu policial, meu esposo também… imagino que seremos uma influência natural para ela, se esse for o caminho, darei total apoio”, encerrou sorrindo a soldado.




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