Projeto emprega detentos no setor alimentício

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A Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe), em parceria com a empresa Proam Alimentos e Eventos, desenvolve o projeto “Esperançar”, oriundo de um convênio realizado em 2013 e que já beneficiou mais de 40 detentos. Na iniciativa, nove internos custodiados pela Susipe auxiliam na produção das refeições que irão servir 744 detentos nos Centros de Recuperação de Mocajuba, Tomé-Açu e Tucuruí. Diariamente são feitos café da manhã, almoço e jantar.

A seleção dos internos leva em conta o bom comportamento na unidade prisional e afinidade com a atividade. Todos os dias os internos participam como auxiliares de cozinha, atuando na produção, embalagem e distribuição dos alimentos, assim como na limpeza do espaço de trabalho. 

Antônio Serafim Pantoja, 56, costumava cozinhar apenas para a família, mas há dois anos passou a preparar comida para 174 presos custodiados no Centro de Recuperação Regional de Mocajuba. O sorriso no rosto revela a satisfação do trabalho realizado com alegria e dedicação.

“Eu sei fazer do café da manhã ao jantar. É um trabalho que eu faço feliz. Estar aqui trabalhando e aprendendo é muito melhor do que ficar apenas trancado, vendo o dia passar. Eu espero a minha liberdade todos os dias, e ter uma ocupação faz com que o tempo passe mais rápido”, afirmou o detento. 

De acordo com a Lei de Execução Penal (LEP), a cada três dias trabalhados, um dia da pena do preso é remido. Os internos recebem ainda ¾ do salário mínimo, o que para Antônio, faz toda a diferença. “Eu tenho uma filha de 11 anos que precisa de cuidados e o dinheiro que ganho aqui ajuda ela a manter uma boa alimentação”, concluiu.

Para a funcionária da empresa e parceira de Antônio na cozinha, Maria do Socorro Lopes, a ajuda do companheiro é fundamental. “É uma ajuda mútua, ele me ajuda e eu ajudo ele. Aqui o ambiente de trabalho é bom, o que faz com que a produção seja melhor ainda”, revelou.

De segunda a sábado em Tomé-Açu, o interno do regime semiaberto tem a chance de sair para trabalhar na produção das refeições no prédio da Proam, que funciona fora da unidade prisional. Para a diretora do Centro de Recuperação Regional de Tomé-Açu, Selma Nascimento, a oportunidade de gerar empregos dentro da unidade penal colabora ainda para a reintegração dos internos na sociedade.

“Com a remuneração os detentos podem se planejar para quando estiverem em liberdade, já que uma parte do salário é depositada na poupança. Com o dinheiro ele pode abrir um próprio negócio ou ajudar a se manter enquanto não estiver trabalhando, para não precisar cometer um novo crime. Eles também se sentem mais motivados, com a autoestima elevada e o contato com outras pessoas faz bem”, ressaltou.

Para o diretor da Proam, Marcelo Marques, a parceria é positiva para todos. “Estamos desenvolvendo este convênio da melhor forma possível. É um trabalho social importante de reintegração, no qual os detentos recebem o aprendizado de uma nova função para terem um caminho do bem a seguir quando voltarem à liberdade. Temos exemplos de pessoas que começaram a trabalhar na condição de internos do sistema penal e hoje são nossos funcionários contratados pela empresa. Nossa meta é utilizar a mão-de-obra carcerária não somente dentro das unidades penais, aumentando assim a nossa contribuição para a reintegração social dos internos”, pontuou. 

O diretor de Reinserção Social da Susipe, Ivaldo Capeloni, acredita que projetos como esse são fundamentais para possibilitar aos detentos oportunidades de recolocação no mercado de trabalho. “Os cursos e atividades de profissionalização são importantíssimos para fazer com que os internos ocupem o tempo que estão privados de liberdade com atividades e possam se auto-sustentar quando estiverem livres. Por isto, projetos como o Esperançar são importantes”, finalizou.




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