Cinema

Hollywood, comunismo e Oscar (parte I: 1920-1939) – Histórias do Oscar 17

Durante as décadas de 1920 e 1930, Hollywood estava passando por uma era de ouro, com a ascensão da indústria cinematográfica e a popularização do cinema. Nesse contexto, o Comunismo também começou a ganhar espaço. O Partido Comunista dos Estados Unidos começou a se organizar, e suas ideias foram gradativamente difundidas entre diversos setores da sociedade, incluindo a indústria do entretenimento. A influência do Comunismo também se refletiu nos roteiros e nas mensagens transmitidas pelos filmes, o que gerou preocupação e repressão por parte das autoridades e da elite conservadora.

A influência de Edgar Hoover

Nesse período, Edgar Hoover, que mais tarde se tornaria diretor do FBI, desempenhou um papel crucial na moldagem da percepção da indústria cinematográfica em relação à ameaça comunista. Hoover, em seu cargo de chefe de inteligência, construiu uma visão de que a indústria do cinema e seus profissionais estavam sendo infiltrados por elementos comunistas, que supostamente estavam utilizando sua influência para disseminar ideologias subversivas através das telas. Essa visão moldou as políticas e ações do FBI, que passou a monitorar de perto as atividades das figuras proeminentes de Hollywood, criando um clima de paranoia e desconfiança na indústria.

Conflito entre a academia e roteiristas conservadores

Nos anos 30, a academia do Oscar enfrentou um conflito com roteiristas conservadores que acusaram a instituição de abraçar o Comunismo e de defender comunistas. Essas acusações geraram um debate acalorado sobre o suposto viés ideológico da academia e o papel dos filmes na disseminação de mensagens políticas. As tensões entre a academia e os setores conservadores da indústria cinematográfica refletiram a polarização presente na sociedade da época, e levaram a questionamentos sobre a liberdade de expressão e a censura no cinema.

A continuação deste contexto nos anos 40 – Próximos passos

A situação descrita nos anos 20 e 30 preparou o terreno para os desafios enfrentados pela indústria do cinema durante os anos 40, quando a paranoia anticomunista atingiu seu auge e teve grandes repercussões na vida de muitos profissionais de Hollywood. Essa fase da história de Hollywood e do Oscar será abordada em um próximo vídeo, onde discutiremos o impacto da Guerra Fria e da caça às bruxas do Comitê de Atividades Antiamericanas nas premiações do Oscar e na vida dos artistas e profissionais do cinema.

Como o Medo do Comunismo Afetou a Indústria Cinematográfica nas Décadas de 1920 e 1930

A ameaça do comunismo foi perpetuada como um instrumento retórico influential na indústria do cinema a partir da década de 1920. A preocupação com o comunismo consolidou-se como a principal ameaça dentro da indústria cinematográfica, ganhando força ainda maior a partir da década de 1930. Nos últimos anos, pesquisas têm destacado a conexão entre o comunismo e a indústria petrolífera, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada desse período histórico.

Acadêmicos têm explorado o conceito de Ameaça Vermelha em três momentos distintos: nas décadas de 1920 e 1930, na década de 1940 e, posteriormente, a partir da década de 1950, em grande parte influenciados pelas investigações sobre o macartismo e a lista negra de Hollywood. Este vídeo irá focar especialmente no primeiro período mencionado.

O Papel de J. Edgar Hoover na Propagação do Medo do Comunismo na Indústria Cinematográfica

J. Edgar Hoover desempenhou um papel crucial na disseminação da ideia de que comunistas estavam infiltrados na indústria do petróleo e que seu principal objetivo era desestabilizar não apenas o cinema, mas também as normas sociais e culturais americanas. Hoover, diretor de inteligência a partir da década de 1920 e posteriormente o primeiro diretor do FBI, foi fundamental na criação e promoção desse temor. Inicialmente, Hoover concentrou-se em Charlie Chaplin, propagando a percepção de que este, sendo estrangeiro nos Estados Unidos, era um comunista que não tinha compromisso com o país e utilizava o cinema para promover ideais soviéticos.

Há debates acadêmicos sobre se Hoover realmente acreditava nessa narrativa ou se a utilizava como ferramenta para promoção pessoal e para se apresentar como um fervoroso anticomunista. Independentemente da motivação, Hoover utilizou o encontro de Chaplin com Foster, líder do Partido Comunista dos Estados Unidos, para fortalecer sua narrativa. Chaplin foi rotulado por Hoover como um “socialista de champanhe”, termo aplicado a indivíduos ricos que adotavam retórica comunista por motivos de autovalorização social. Essa visão de Hoover contribuiu para a percepção de uma ameaça comunista real no cinema, apesar da falta de evidências concretas.

Análise Profunda do Contexto Histórico

Em suma, este vídeo oferece uma análise detalhada do contexto histórico das décadas de 1920 e 1930, iluminando a percepção do comunismo e seu impacto na indústria cinematográfica. Ele fornece insights valiosos sobre a influência de figuras-chave, como J. Edgar Hoover, e a maneira como o medo do comunismo moldou a indústria durante esse período. A análise minuciosa e a consideração aprofundada do assunto tornam este vídeo uma fonte cativante para qualquer pessoa interessada em compreender as dinâmicas complexas de Hollywood naquela época.

FAQ

Qual foi o papel de J. Edgar Hoover na propagação do medo do comunismo na indústria cinematográfica?

J. Edgar Hoover desempenhou um papel fundamental na disseminação da narrativa de que comunistas estavam infiltrados na indústria cinematográfica e que seu principal objetivo era desestabilizar as normas sociais e culturais americanas. Ele utilizou Charlie Chaplin como um exemplo, promovendo a ideia de que o ator, sendo estrangeiro nos Estados Unidos, estava promovendo ideais soviéticos através do cinema.

Como o medo do comunismo influenciou a indústria do cinema nas décadas de 1920 e 1930?

O medo do comunismo influenciou significativamente a indústria do cinema, levando à perseguição de indivíduos associados a supostas simpatias comunistas e à adoção de práticas de censura e vigilância exacerbadas.

Conclusão

Este artigo ofereceu uma profunda análise do impacto do medo do comunismo na indústria cinematográfica das décadas de 1920 e 1930, com destaque para o papel de figuras como J. Edgar Hoover nesse contexto. A compreensão das complexas dinâmicas históricas por trás do medo do comunismo na indústria cinematográfica é essencial para contextualizar o desenvolvimento do cinema e suas ramificações sociopolíticas.

Fonte: Link para o vídeo original

Fonte do vídeo: [Mundo Acre](https://www.youtube.com/watch?v=efgusw7YOjM)

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45 Comentários

  1. Dalenagore e Meus 2 centavos…. únicos canais que acompanho afinco…. existem outros bons mas que vejo as vezes… esses dois são excelentes. Dalenagore fala de temas que ninguém mais fala… parabéns! Continue assim.

  2. Comecei esse ano a acompanhar o seu canal. Muito interessante seu ponto de vista nos filmes. Estou vendo um documentário – The History of Film: An Odyssey, são 15 episódios de 1 hora contando a história do cinema. As vezes passa no canal – Curta! Tem para download também. Dalenogare caso tenha curiosidade de assistir depois tenho certeza que irá gostar muito. Cita até os filmes escandinávos antigos. Segue o link do imdb sobre o doc. https://m.imdb.com/title/tt2044056/ Parabéns pelo canal continue assim!

  3. Descobri seu canal há pouco tempo e estou gostando muito. Não sei se você já falou sobre isso, mas tem alguns filmes que tiveram problemas com o Hays Code e a Legion of Decency e achei alguns deles bem ousados pra época, não consegui acreditar que estes filmes eram de 1933. Estou me referindo a Baby Face (a versão pre-release, não a exibida nos cinemas) e Design for Living. Me surpreendi com o tom e a ousadia desses filmes e não sei se você poderia abordar este assunto. O quão ousado era o cinema norte-americano antes desta censura do Hays Code e a Legion of Decency e como foi este período de transição (que tipo de problemas os profissionais de cinema tiveram que enfrentar).

  4. A paranóia da guerra fria afetou todos e tudo. Lembro que no início daquele documentário do Carl Sagan, Cosmos, é dito na introdução que grande parte dos cientistas do planeta se ocuparam na criação de bombas e afins durante aquele período. Na arte foi igual, prejuízo sem precedentes. Pior que parece que estamos na guerra fria novamente.

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